O que aconteceu
A guerra entre Irão, Estados Unidos e Israel estendeu-se ao Golfo Pérsico, levando a cortes nas previsões de crescimento para a região e a perturbações imediatas em setores dependentes de tráfego internacional e de confiança do consumidor.
Impacto macroeconómico
O Fundo Monetário Internacional reduziu a projeção de crescimento para a região do Médio Oriente para 1,1% em 2026, face a 3,2% em 2025. O bloco de efeitos varia por país segundo a exposição ao Estreito de Ormuz, ao estado da infraestrutura energética e à disponibilidade de rotas alternativas de exportação.
Países com perdas mais acentuadas incluem Bahrein, Irão, Iraque, Kuwait e Catar. O Irão deverá registar uma forte contração do PIB devido a semanas de bombardeamentos. O Catar enfrenta uma queda marcada da atividade após danos em instalações de produção de gás natural liquefeito.
A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos mostram resiliência relativa. A Arábia Saudita beneficia do acesso ao Mar Vermelho, capaz de contornar o Estreito de Ormuz, e o seu crescimento projetado é de 3,1% em 2026, abaixo das previsões anteriores de 4,5%. Os Emirados deverão crescer 3%, apoiados pelo setor não petrolífero.
Setores mais atingidos
- Transporte marítimo e logística: bloqueios e riscos na rota do Estreito de Ormuz atrasaram entregas e encareceram logística, afetando desde maquinaria pesada até bens importados.
Empresas do setor hoteleiro, organizadores de eventos e construtoras referem necessidade de meses para retorno a padrões normais de operação.
Diferenças entre países do Golfo
Os efeitos não são uniformes. Omã, por posição geográfica e rotas, sente menos a perturbação. Arábia Saudita e Emirados conseguiram redirecionar parte do comércio por portos alternativos, reduzindo o impacto imediato. Por outro lado, países muito dependentes do Estreito de Ormuz para exportações energéticas são os que enfrentam perdas de receita mais severas.
Perspetiva operacional e política
A redistribuição do tráfego marítimo para portos do Mar Vermelho e leste dos Emirados evidencia um movimento de investimento em infraestruturas logísticas e de energia para mitigar o risco do bloqueio prolongado. Governos e empresas estão a ajustar cronogramas de eventos e grandes inaugurações, ao passo que companhias aéreas mantêm restrições de operação, afetando receitas e planeamento.
O que vem a seguir
A recuperação dependerá da evolução do conflito, do tempo até normalização do tráfego marítimo e da capacidade dos países de substituir rotas e recuperar confiança dos consumidores e operadores internacionais. Enquanto isso, sectores expostos enfrentam custos mais elevados e receitas menores, com impacto direto nos orçamentos públicos e planos privados de investimento.