O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, disse em entrevista ao canal panárabe Al-Araby Al-Jadeed que o entendimento alcançado com Omã não significa que o estreito de Ormuz será reaberto de imediato. A declaração chega depois de notícias que indicaram um acordo entre Teerão e Mascate sobre navegação na passagem marítima.
Araghchi afirmou que a reabertura do estreito está condicionada ao regresso dos Estados Unidos ao cumprimento dos compromissos firmados no Memorando de Islamabad. Esse memorando, assinado em junho entre Teerão e Washington, previa várias medidas: fim das hostilidades, levantamento do bloqueio naval imposto pelos EUA, reabertura do estreito, suspensão das sanções petrolíferas e liberação de fundos iranianos congelados.
A imprensa iraniana noticiou que um encontro em Salalah, Omã, reunirá Irão, Omã, Arábia Saudita, Kuwait, Qatar, Emirados Árabes Unidos e Iraque — o Bahrein não deverá participar. As autoridades iranianas descrevem a reunião como um passo para criar uma estrutura regional de cooperação em segurança no Golfo. A agenda oficial foca segurança e navegação no estreito de Ormuz.
Desde ataques sofridos pelo Irão em fevereiro por parte dos EUA e Israel, Teerão assumiu controle prático do estreito de Ormuz. Antes do conflito, cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito mundial transitava por ali. O bloqueio e a insegurança na passagem marítima têm mantido o preço do petróleo pressionado acima de 100 dólares por barril em semanas recentes.
A mensagem de Araghchi sinaliza que entendimentos bilaterais com países do Golfo, como Omã, não substituem negociações diretas com Washington sobre garantias e compensações previstas no Memorando de Islamabad. A reabertura do estreito tem implicações económicas e de segurança globais: assegurar tráfego alivia pressões no mercado petrolífero e reduz riscos para navios comerciais.
- Declarações conjuntas após a reunião em Salalah sobre medidas praticáveis para coordenar segurança marítima regional.
- Possíveis negociações paralelas entre Irão e EUA sobre a implementação do Memorando de Islamabad, caso Washington se mostre disposto a retomar compromissos.
- Monitorização dos preços do petróleo e de movimentos navais na região, que reagirão a qualquer sinal concreto de abertura do estreito.
O acordo entre Irão e Omã foi apresentado como um passo diplomático, mas o governo iraniano deixa claro que a reabertura do estreito de Ormuz depende de ações dos Estados Unidos. A reunião regional em Salalah pode criar canais de diálogo entre países do Golfo e o Irão, mas não elimina a necessidade de resolver as condições previstas no Memorando de Islamabad para restaurar o trânsito marítimo tradicional.